quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Tempo, tempo, tempo....

Na verdade, estou aqui para falar da falta dele... Que falta me faz! Tanta vontade de escrever, dar vazão à imaginação e aos sentimentos nos toques deste teclado, mas... primeiro vem a obrigação. E as obrigações me consomem de tal forma que o dia acaba e elas não. São empurradas para o dia seguinte... a semana acaba... o final de semana acaba... só elas não acabam.
O que fazer? Em primeiro lugar agradecer pela oportunidade de ter muito o que fazer. Em segundo lugar, ficar feliz com as realizações. No mais, vale ouvir a música do Lenine como um mantra para não pirar nesse turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Beijos e até a próxima.

PACIÊNCIA
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára...

domingo, 12 de setembro de 2010

Happy day or happy end?

Uma troca de e-mails com a minha amiga Francis resultou nesse texto dela. Advinha quem é a amiga do "Hable más"??????
Beijos para minha amiga com muita saudade.

"Querido(a)s amigo(a)s
Como a ordem do momento de minha vida é "casamento", venho recebendo muitos emails sobre o tema e sobre o indefectivo "happy end".
Leio muitos emails de amigas ou conhecidas( mulheres,jovens, bonitas , simpáticas e inteligentes) aflitas com tal questao, e preocupadas em finalmente encontrar um príncipe encantado.
Uma, outro dia ,me disse: "estou feliz por vc, pois sua busca finalmente terminou!"Juro a todos, que me senti na enfermaria de doentes terminais de um hospital!!!!!!!
Bem, todo esse contexto, me provocou inquetacoes múltiplas e entao resolvi dar minha opiniao sobre o tao sonhado "Happy End"!
Eu como boa aquariana que sou, acho que existem outros modos possíveis de se viver a vida, e não somente o de casar, ter filhos e construir a família da propaganda de margarina.
Até pq ,para mim, casar é a consequencia de uma história que, independente de seu tempo, foi se tornando bacana e saudável p duas pessoas, e  vale a pena a ser desenvolvida.
 Casamento, jamais deve ser somente um fim, uma meta a ser alcancada. 
Mais que um "Happy End" , tento lutar para ter muitos "Happy Days"!!!!!!!!!!!!
Eu posso ter um HAPPY DAY sozinha em casa, ouvindo meu rockizinho antigo, tomando um banho demorado, fazendo um brigadeiro e comê-lo  assitindo pela milésima vez um filme na televisão.
Eu posso ter um HAPPY DAY lendo alguma coisa curiosa de um texto histórico, tomando um café com um amigo ou com várias amigas, fofocando, falando coisas fúteis e entre linhas filosofando sobre a vida;
Posso ainda assim, ter um HAPPY DAY caminhando na Lagoa Rodrigo de Freitas,ou nos bosques de Palermo, ou andando de bike em Tigre ou no calcadao do posto 9.Tomando um sorvete e indo ao cinema com mais amigos.
Ou fofocar a tarde interinha de um domingo frio com uma amiga que esta a kilometros de distancia, e que eu morro de saudade! E viva o "Hable Más"!
Eu tive  muitos dias felizes, sentada em uma praça de alimentação de um shopping com várias amigas incríveis!
Eu sou muito feliz quando viajo de carro com o vento batendo em meu rosto e paro na estrada para fotografar um jardim recheado de hortencias ou quando assisto a uma boa peca de teatro e saio emocionada, sonhando o resto da noite!Quando caminho descalça na areia da praia e tomo um  suco ou agua de coco a beira do mar  e escuto, as vezes, aquelas histórias de um hippie maluco que me vem vender bugigangas...
Acho, sem demagogia, que posso continuar sendo feliz sem necessariamente ter um principe encantado, sem ter um filho ou filha para colocar lacinho no cabelo e ensinar o que aprendemos na vida. Até pq sou professora e minha profissao já me permite ensinar de bom grado a um montao de gente!!!!!!!!!!!
 Esse é apenas um modelo de vida. APENAS UM MODELO DE VIDA QUE NOS ENSINARAM A SER O ÚNICO. 
Gostaria sim, de que o cara legal, que agora esta do meu lado, fique por muito tempo... talvez a vida toda .
Estou vivendo com ele, experiencias interessantes e muitas vezes senti emoções inesquecíveis que vao estar para sempre, em minhas memórias e que já fazem parte de minha história.
Talvez tenha filhos, e vou amá-los muito e vou tratar que sejam pessoas do bem e seguramente vou torcer p que eles facam amizades com os filhos dos meus amigos e que todos sigamos sendo uma grande família do coracao!
 Mas, não podemos passar dias e  dias da nossa existência, idealizando a "família doriana" ou nos lamentando porque não conseguimos ainda,ou sonhando em um dia ainda construir.
A vida passa muito rápido!  
Por esse motivo o "Happy End " não mexe tanto comigo: Para mim, ele existe para aprisionar algumas mulheres que estão gastando tempo com uma norma introjetada que elas nem se quer questionam.
Agente,constrói nossa História!! Mas ñ precisamos de Homem para ser quem somos ñ!
 Se queremos  construir uma vida a dois, muito legal, se depois não quiser mais, também é uma opção.
Somos LIVRES ! Eu sei dor e a delicia que é ser Livre.
 Por isso mulheres como nós, que trabalham , estudam, se apaixonam e bancam seu amor, seja ele qual for,e fazem sua trajetória e seus "happy days",me fazem mais sentido do que  o  "happy end".
Admiro e torco pelas histórias de amor, mas sobre tudo as de amor próprio, pq já dizia o dito popular:" quem quer "agradar" a todos acaba ñ agradando ninguém!"
E para  todas as mulheres maravilhosas que ñ consenguem,infelizmente,enxergar que a verdadeira felicidade esta dentro delas....Bem......fecho-me em copas.
Beijos da amiga que adora a  todos de montao!
Perdoem meus erros de digitacao e acentuacao gráfica pela diferenca de teclado!
Fran"

sábado, 4 de setembro de 2010

O amor nos tempos do doutorado

Ultimamente tenho lembrado muito do Mário Prata quando diz que “escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo para, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.”

Eu sou “o marido que se vire” dessa citação. Pois é, desde que nos casamos ela faz o tal doutorado. Para se ter uma ideia, nunca consegui falar a tão famosa frase “enfim sós!”, porque nunca estivemos realmente sós. Entre nós havia um objeto de estudo chamado Gustavo Barroso. Às vezes eu me perguntava se era mesmo objeto de estudo ou de desejo, pois sempre passou mais tempo com ele do que comigo. Minha sorte é que ele é um morto... não sei...entre tantas qualidades de corno, será que existe a do corno espírita????

Fato é que na nossa vida de casados não a divido apenas com o tal Gustavo Barroso. Divido-a também com alguns vivos, como orientador, co-orientador, interlocutor, leitor, ouvidor etc. Com eles ela conversa no dialeto “doutoranês”: é sic pra lá; apud pra cá; idem; ibidem... Acredito que só esses vivos serão capazes de compreender o trabalho que se desenrola em uma infinidade de páginas cheias de notas de rodapé, citações, títulos e subtítulos.

Sabe qual é a parte que me cabe nesse latifúndio? É, embora ela passe a maior parte do tempo envolvida com a escrita da tese, às vezes se lembra de mim: Romney escaneia essas imagens, por favor? Romney me leva de carro para o Museu porque estou com o laptop? Romney deixa eu ler só esse pedacinho aqui da tese para você ver se acha legal? Romney aproveita que você sai mais cedo hoje da escola e tira cópia desses textos pra mim que preciso ler para ontem? Romney pode fotografar uns documentos pra mim no arquivo? Além de marido, arrumei outra função: secretário de assuntos aleatórios da tese.

Nesse ritmo ela levanta cedo, vai pro trabalho, volta pra casa e se enfia na tese. Eu não agüento espera-la para dormir... tem vezes que ela passa noites e noites com o Gustavo Barroso. Sorte que não sou ciumento. Final de semana? Não existe. Só dá ela, o computador, o Gustavo Barroso e a tese. E eu? Ah! Teve um dia que eu falei: “Hoje ela não me escapa”. Quando nos deitamos, dei aquele cheiro gostoso no cangote, crente que estava abafando e ela... já estava dormindo. O Gustavo Barroso tinha lhe sugado todas as energias e nada sobrou pra mim a não ser seus roncos que não me deixaram dormir a noite inteira.

Assim, eu me pergunto: é possível o amor nos tempos de doutorado? Não sei, talvez... só sei que enquanto houver tese a escrever, fica difícil de a família crescer.

P.S.: No dia 21/12/2009 nós defendemos a tese. OBA!!!!

Vai ser ecumênica assim lá em casa... E haja fé!

Quando nos casamos, ela cismou que queria um canto de orações. Muito crédula, acredita até em Papai Noel... Queria porque queria um oratório dizendo que seria um ponto de fixação de boas energias e equilíbrio no lar... Eu que não acredito muito nessas coisas, acabei concordando e instalando-o logo à entrada da sala.

O primeiro objeto que ganhamos para compor o oratório – que consiste em um pequeno aparador com duas gavetinhas – foi um crucifixo, dado pela minha mãe. Ao nos mudarmos o crucifixo foi rapidamente para o alto do oratório. Afinal, Jesus Cristo é Jesus Cristo tem seu lugar garantido ao lado de Deus Pai Todo Poderoso Amém! Em seguida vieram os livros, livretos e algumas “bagulhadas” que, rapidamente, encheram as gavetas. Em uma encontram-se “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, dado pelos pais dela, que é lido todas as segundas-feiras à noite, juntamente com um livrinho chamado “Minutos de Sabedoria”, presente de Lelé e Ivete, de onde ela tira mensagens mágicas, digita-as em letras coloridas, transcreve para a agenda, manda para os amigos... mas não cumpre uma linha sequer.

Junto a alguns livrinhos de auto-ajuda como “O livro das atitudes” e “Histórias para aquecer o coração” é possível encontrar uma cartilha de umbanda com a história dos santos, os pontos de macumba e os significados dos rituais: um verdadeiro livro didático espiritual. Para quem já gosta de teorias e fichamentos é um prato cheio. Há também um cinzeiro, usado de vez em nunca pela Déia, que quase não aparece, e um monte de remédios homeopáticos, fitoterápicos, alopáticos e outros “áticos” mais... Um verdadeiro arsenal para combater todas as doenças do mundo. Pois é, apesar da fé infinita, ela tem mania de doença. É rinite, enxaqueca, TPM e outros males mais que só não atrapalham o casamento porque o verdadeiro santo desta casa sou eu. Pena que ela ainda não tenha se dado conta disso...

Os remédios migraram pra lá há pouco tempo, pois eram tantos que não havia mais lugar para eles, que se espalhavam pelos quatro cantos da casa. Viam-se mais frasquinhos e comprimidos por aí do que paredes, acredita? Só para se ter uma idéia. Aí, ela resolveu colocar a linha de frente dos medicamentos na gaveta do oratório para receberem uma forcinha a mais da espiritualidade. Só não entendo porque a cura nunca acontece.

Na outra gaveta há uma penca de incensos de tudo que é cheiro e pra tudo que é coisa: meditação, estresse, paz espiritual... só não encontrei um para unha encravada, ainda, mas talvez, se procurar direitinho, eu acho. Ah! Tem uns charutos que a minha prima Tatiane indicou para ela acender e passar pelo corpo em caso de enxaqueca. Nossa Senhora! Quando ela acende aquele negócio que leva o nome de mocha bastão, quem canta pra subir sou eu. A casa fica toda empestada com aquele cheiro de pai-de-santo que só falta a batucada para eu me sentir em pleno terreiro de macumba. Sabe o que é pior? Com tudo isso a dor de cabeça nunca passa e o santo aqui é que tem que levá-la para o dr. Maricá. Eu mereço! Eu mereço!

Junto aos incensos tem também umas fragrâncias para perfumar o ambiente e trazer bons fluidos, umas lembrancinhas de batizados de filhos de amigos, um buda dado pela tia Regina (a grande guru dela), um porta incenso de pedra sabão que o Marquinhos nos deu, e a gaveta se completa com dois saquinhos brancos que trazem uma moeda de 5 centavos costurada no fundo. Nem dá pra tirar na hora do aperto para completar a passagem do ônibus. Esses saquinhos vieram do meu sogro, com uma simpatia para ficar rico... Ele fez a simpatia e nós é que tivemos que receber os saquinhos. Pode? É óbvio que não demos continuidade à simpatia. Mas os saquinhos ficaram lá, ocupando espaço na gaveta e recebendo sua cota de bênçãos e orações. Até hoje meu sogro não ficou rico, muito menos nós.

Em cima do oratório é que tem uma verdadeira festa ecumênica sob o atento olhar de Jesus Cristo, “olhai por nós”: a oração do anjo da guarda junto à sagrada família (ambos presentes da minha mãe, católica fervorosa, apostólica romana de carteirinha e coração). Ao lado há uma imagem de Padre Cícero que ela recebeu de um amigo cearense (outro historiador de fé, o Régis). Mais a frente tem o anjo da guarda que Alana, amiga do trabalho deu de aniversário. É... o desejo de chegar ao paraíso a qualquer custo já é bem conhecido entre amigos, parentes e por todo o Brasil.

Entre os presentinhos que enfeitam o oratório encontramos também um rechô que o Rafael Zamorano deu de aniversário para queimar as essências purificadoras, uma vela vermelha que a Raquel (Racô) ofereceu, dizendo que era bom para fortalecer o amor, e outra vela, esta de cor amarela, dada pela tia Regina que enfatizou suas potencialidades de concentração e alegria. Apesar de suas propriedades, fato é que o rechô e as velas só são acesos quando falta luz na roça. Vocês sabem como é a Ampla, né? Basta ventar para a luz cair.

Tem um vidrinho com sete conchinhas pescadas na praia de Itacoatiara. Não sei muito bem pra quê, nem por que, mas estão lá, ao lado de uma foto dos nossos pais presenteada por tio Jorge e tia Dina. Há duas fotos nossas. Uma delas é a primeira que tiramos juntos, clicada por Rodrigo Mexas... acho que é a foto mais bonita que temos de todas as que tiramos nesses dez anos... merece ser abençoada! A outra nos mostra envolvidos em uma guirlanda bem colorida. Pois é, quando nos casamos, meu cunhado fez questão de me agradecer por ter tirado a irmã dele de casa, e nos ofereceu um colar de flores gigante que restou de uma cerimônia Hare Krishna. É para que a nossa união dure o tempo necessário para ela não voltar mais ao lar dos pais enquanto lá ele estiver. A gente arruma cada cunhado nessa vida, né? Hari Bol!

A mais nova aquisição para o oratório é um gaucho trazido pelo primo Thiago da Argentina. Não sei muito bem em qual ramo da fé ele atua, mas tá lá... Na hora do aperreio apela-se pra ele também... Ah! E a mais nova santa do pedaço é minha aluna, Ana Carolina, que fez quinze anos outro dia e a lembrancinha da sua festa foi parar lá no espaço sagrado da casa. É um retratinho dela na moldura em formato de coração. Mas o que pedir a uma menina tão jovem, heim? Não faço a menor idéia!

Enfim, seja bem-vindo(a) ao lar doce (e abençoado) lar, de Aline e Romney... E caso tenha alguma imagem de santo ou qualquer buginganga esotérica, aceitamos doações. Mas se você é ateu(ia), é melhor entrar pela cozinha.