quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amor ao time, quer dizer, ao TIMÃO!

Por Aline Montenegro

Croniqueta que escrevi em 14/07 para o meu amor enquanto ele assistia ao jogo do Corinthians contra o Internacional. O Coringão ganhou, permaneceu líder do campeonato, mas o homenageado foi ele.
Beijos,
Aline

-        E aí, "rapá", qual é o seu time?
-        Corinthians.
-        Isso em São Paulo, né? E aqui no Rio?
-        Corinthians, ué.
-        Você é paulista?
-        Nasci lá, mas com um ano de idade vim morar no Rio. A única coisa de paulista que tenho é o time.
          
Quantas vezes não ouvi esse diálogo em quase 15 anos de convívio com um Corinthiano?   E ao longo desse tempo tenho me esmerado em compreender o que é ser torcedor de uma equipe esportiva. É um amor que não tem medidas e se expressa em diferentes atos do cotidiano.
            Ao chegar em casa do trabalho, corre para ler o jornal, Caderno dos esportes: - Quais são as novas do Coringão? Para completar, vai para a rede mundial de computadores e visita todos os  sítios possíveis e imagináveis, acompanhando os comentários sobre os jogos, os jogadores, as contratações, a política do clube...
            No lar, tem Corinthians no armário, na porta da geladeira, no papel de parede do computador... na televisão.... Em dia de jogo o mundo para e ninguém chega perto. Ai de quem ousar... E não é que sempre tenho algo interessante a falar nesses momentos?! Pipa recolhe-se em sua depressão. É que a cada lance da partida, principalmente nos gols, ecoam berros, murros e muitos palavrões. A coitada da cachorra pensa que é algo pessoal e coloca-se de castigo. Coitada!
            Após o jogo, se o Timão ganhar, haja programa esportivo: Mesa-redonda, 4 em campo, cartão verde, etc. Mas caso contrário, haja mau-humor!
            Cético em relação a todos os assuntos mundanos. Mas quando é o seu time que está em jogo, o buraco é mais embaixo. Segue algumas superstições, como não atender a nenhum telefonema que venha do seu cunhado Gustavo ou do primo Thiago durante as partidas. Dá azar!
            A loucura pelo time já o fez viajar para São Paulo várias vezes só para ver o Corinthians em campo. Procurar, sem sucesso, um cinema no Rio de Janeiro no qual estivesse passando o filme “Fiel”. Gastar quase um salário inteiro em uniformes oficiais etc. No ano do centenário, 2010, cavou um dia de folga na semana, as 5as feiras, só para garantir os jogos na TV até altas horas das noites de quarta. Pena que, o ano acabou sendo conhecido como o do CenteNADA. NADA de títulos. Decepção!
            Decepção maior foi quando o time desceu para a segundona. A imagem deste torcedor era desoladora. Olhos marejados e fixos na TV, como se não estivesse acreditando no fato... A trilha sonora desta cena foi a torcida cantando alucinadamente: “Aqui tem um bando de louco. Louco por ti Corinthians! Aquele que acha que é pouco, eu vivo por ti Corinthians! Eu canto até ficar rouco! Eu canto pra te empurrar! Vamos, vamos meu Timão […] Não para de lutar.” Foi difícil. Até eu fiquei emocionada com a vibração daqueles loucos naquele momento de pura derrota.
            Eu nunca gostei do Corinthians, mas hoje confesso ter uma certa simpatia. Não tem como não se render às memórias contadas por ele, com todo carinho e empolgação, em tantas viagens entre o Rio e Inoã. São trajetórias de jogadores guerreiros, como Sócrates, história de corinthianos ilustres, como Juca Kfouri,  musiquinhas que são cantadas pela torcida, campeonatos históricos como o fim do jejum de 23 anos, em 1977 – momento em que jura ter se descoberto corinthiano, com apenas 4 meses de vida. O pior é que a mãe dele confirma esse mito. Fazer o quê? Acreditar, né?
            Sua mãe, atualmente ministra da eucaristia na paróquia de N. Sra. Do Perpétuo Socorro já desistiu de tentar fazê-lo ir às missas nos domingos à tarde. Mas até chegar à desistência foram milhares de tentativas.
-        Ô menino! Você não tem fé em Deus não, é? É ateu por acaso?
-        Mãe, tenho fé em São Jorge e sou Católico Apostólico Corinthiano. E a sra, não quer se converter ao Corinthianismo?
            Com todo esse amor e sua catequese, que inclui visitas as “templo sagrado Pacaembu”, permaneço vascaína, fiel ao meu Gigante da Colina. Mas, uma admiradora inveterada de um torcedor apaixonado.

P.S.: O tempo passa, o campeonato rola e agora a líder sou EU. VASCOOOOO!!!!!