domingo, 21 de novembro de 2010

Fumo e fumantes por Joferdeli

"Não sei como se interessa
alguém, pela vida inteira,
num hábito que começa
trazendo náusea e tonteira!

Muito homem culto e notável
faz essa imensa bobagem.
Rende ao vício vassalagem
ridícula e detestável...

Contrastante desconsolo
no viciado se situa;
quanto mais saber possua,
tanto mais se mostra um tolo!

Condenável é o fumante,
não apenas por fumar
mas por viver, irritante,
toda gente a defumar

Inexperientes meninos
são pelo sestro empolgados,
acreditando, coitados,
ficarem mais "masculinos"...

E mulheres delirantes,
nos clubes, no lar, nas praças,
andam soltando fumaças,
assim se crendo "elegantes"!

Pobres de espírito, apenas,
que por doentia vontade,
de um erro incorrem nas penas,
sem qualquer necessidade!

Imensa turba assim anda;
seu arbítrio negligente
fá-la vítima inocente
de nociva propaganda...

Poder-se-ia desculpar
os que contraem tal vício
se o costume de fumar
fosse agradável de início.

Mas não... E o ato pensado
de forçar o próprio gosto,
pôr-se enfermiço, disposto
a transformar-se um viciado.

Resulta estranho e chocante
a quem cultiva o bom-senso;
por isto às vezes penso
ser néscio todo fumante...

Na estapafúrdia atitude
de seu mental defeituoso,
o tabaco é-lhe precioso
mais do que a própria saúde...

Se contrai tosse nervosa
ou mesmo bronquite crônica,
não a julga perniciosa,
mas benigna e até eufônica!

Estar no vício é seu lema,
surdo a qualquer advertência
do câncer ou do enfisema,
da religião ou da ciência...

Mania aviltante e excusa,
tem surto dos mais incríveis,
Que atinge a todos os níveis
da Sociedade confusa!"

P.S. Joferdeli é José Fernandes Lima Filho, meu tio Lima.
Aqui registro seu poema em forma de homenagem, sem esquecer que já fiz parte desse time. Ele tem suas razões, mas não precisava ser tão duro, né? É que às vezes, para cairmos na real, precisamos de palavras pesadas como essas.
Beijos a todos e BOA SEMANA!
Aline

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Para quem mora longe...


Quinta-feira passada, após um agradável happy hour cultural com a Alana, me deparei com uma situação complicada na volta para casa... Para chegar a meu lar (doce e abençoado lar) preciso passar pela Ponte Rio-Niterói.
            Pois bem, embora não fosse mais a hora do rush, peguei um engarrafamento medonho na Ponte. Em princípio achei até bacana, afinal, estava ouvindo músicas muito legais no rádio e colocando a leitura em dia.
            O problema é que em determinado momento me deu aquela vontadezinha. Abstraí e continuei a minha leitura. A vontade apertava, apertava, apertava e apertava... Acho que era de propósito, só porque eu não podia saltar do ônibus. É proibido descer na Ponte. E o trânsito não andava, não andava, não andava... Já estava fazendo dancinhas com as músicas que tocavam.
Não conseguia mais me distrair com a leitura e resolvi olhar a paisagem pela janela. Não foi possível admirar a bela vista do Rio de Janeiro. A Baía inundava a minha visão e instigava a imaginação. Pensava: Ah! se eu fosse homem... mataria a minha vontade por aqui mesmo... direto nas águas da Guanabara. Ai, que alívio seria...
            O tempo passava e eu não conseguia ver o final da Ponte. Parecia que não tinha fim...
            A certa altura, começou a tocar no rádio uma música da Marisa Monte: “Para calar a boca: rícino/Pra lavar a roupa: omo/Para viagem longa: jato/Para difíceis contas: calculadora...” E eu completava a canção: “para quem mora longe: fralda geriátrica”. Ai, dava tudo para estar com uma naquele momento. Mas como não era o caso...
Acho que ninguém notou que de uma hora para outra uma pessoa que estava tão agitada paralisou-se e só se mexeu para descer. Antes, dei uma ligadinha para o Romney, que ia me buscar próximo de casa: “Por favor, forre o banco do carro para não molhar...”