Montenegro Folia
A ideia surgiu assim, do nada. Gercílio e Ivete em uma conversa bem descontraída resolveram organizar uma reunião da família. A primeira sugestão foi um almoço num restaurante. Mas Imagina o tamanho da mesa para caber todo mundo... Além disso, seria muito impessoal. Então, com pouco tempo e pouco dinheiro, acabaram decidindo fazer uma festa em um espaço alugado, contando com a colaboração de outros irmãos e sobrinhos.
O primeiro Montenegro Folia aconteceu em dezembro de 2009 na Associação do condomínio onde Ivete e Tânia moram. Teve que ser em um lugar de razoáveis proporções porque, como os baianos gostam de falar: “é gente, viu!?” Três gerações de Montenegro, mais suas ramificações e adeptos por identidade e afinidade.
Desde a sua primeira edição o Montenegro Folia já se tornou um marco no calendário familiar. Todo segundo sábado de dezembro é dia de confraternizar. Vem Montenegro de tudo que é parte da Bahia, do Rio de Janeiro, São Paulo, e até de Paris (a caminho de Cingapura). É um evento regado à feijão, acarajé, cerveja e muita música executada pelo Povo de Iolanda, com direito a licenças poéticas em algumas letras para inserir a “Montenegridade”.
Esse dia é trabalhado e aguardado ao longo de todo o ano. Ivete comanda o leme. Recebe os depósitos que são feitos mensalmente por memebros da família e os transforma em alegria de abraços, lágrimas de emoção, lembrança saudosa dos ausentes... um dia é muito pouco, mas é O DIA! Temos é que agradecer pela oportunidade e pela possibilidade da reunião, pois num tempo corrido como o que vivemos, no qual as obrigações cotidianas nos consomem e nos privam das relações afetivas, sem contar a distância separando tantos Montenegros que, por escolha ou destino migraram para outras paragens, ter um dia só para a família é um PRIVILÉGIO.
Mas que família é essa? Pode ser uma entre tantas que surgiu no interior nordestino, em condições adversas, mas que conseguiu superar as dificuldades, crescer e se multiplicar. Pode ser também mais uma daquelas típicas de um tempo sem televisão e sem pílula, vide o tamanho da prole, impossível de imaginar nos apartamentos modernos de 52 m2. As matriarcas viviam grávidas e, por ordem de chegada, cada filho experimentava um pouco da maternidade ou da paterinadade ao “adotar” um irmão mais novo. Isso era praxe.
A família Montenegro é isso tudo e muito mais. Comecemos por Eliezer da Silva e Plácida Montenegro para não nos perdermos em genealogias que poderiam nos levar à Espanha do século XVII. Eles deram início ao grupo familiar que será conhecido nas páginas seguintes. Foram responsáveis pela educação e pela transmissão de valores éticos e morais que constituem, hoje, o maior patrimônio familiar, passado de geração para geração. Ela, mais do que ele. Pois viúva aos 35 anos de idade, com dez filhos, entre 15 anos e 9 meses, conseguiu, juntamente com o mais velho, Gercílio, tomar as rédeas da situação e conduzi-la de forma digna e honesta, lançando as bases nas quais até hoje a família se sustenta e referencia com admiração e gratidão eternas.
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